
Janaina Conceição Paschoal, de 37 anos de idade, advogada e professora de direito penal na Faculdade de Direito da USP, escreve hoje na Folha de S. Paulo, na seção “Tendência e debates”, um artigo que só pode ser entendido como provocação da máfia Frias. Às tantas, ela diz que não é “especialista em Cuba”, mas não economiza adjetivos para atacar a ilha socialista de modo grosseiro, torpe, vil.
A primeira regra para quem se propõe a escrever algo é estudar o tema. Não precisa ser “especialista”. Basta ter bom senso. Ademais, Cuba é um assunto tão conhecido que sem grandes esforços se obtém as informações básicas sobre o país. Janaina Conceição Paschoal, no entanto, confessa que não fez a “lição de casa" — a Folha adora essa definição —, mas nem por isso se acanhou em escrever pelos cotovelos.
O título do artigo, “Cuba é uma grande Guantánamo”, já é uma provocação barata, coisa de cabeça vazia e língua peçonhenta. A primeira frase diz que a “tolerância do Itamaraty com a falta de direitos humanos em Cuba é totalmente coerente com a história do PT e tem amplo apoio nas universidades”. Numa tacada só, ela atinge uma multidão e várias instituições. Desastrada, recorre à desmoralizada blogueira e mercenária profissional, de reconhecida incompetência jornalística, para dar base ao artigo.
Se apóia
A afirmação é de uma desfaçatez inaudita. Ela queria que a presidenta se acumpliciasse com criminosos? Ou com a direita mercenária, terrorista? Sim, é disso que se trata quando se fala em “dissidentes ao regime”. As ligações dessa gente com as máfias de Miami ou com a extrema direita norte-americana são notórias.
Daí em diante, ela faz uma salada indigesta. Mistura manifestações do ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, no sentido de que não há problemas com direitos humanos na ilha, com “a história do Partido dos Trabalhadores e com as teorias desposadas pelos intelectuais que lhe dão suporte, muitos dos quais responsáveis pela educação de nossos jovens, no ensino médio e nas universidades”. O que isso quer dizer, não ficou explicado. É a velha prática da mídia fascista de jogar areia no ventilador.
Depois, Janaina Conceição Paschoal faz o ritual da direita de dizer que não é de direita para reforçar os ataques. “Vigora entre os educadores e intelectuais brasileiros uma correta e justificável ojeriza às ditaduras de direita. Infelizmente, o mesmo vigor não é encontrado quando se trata de ditaduras de esquerda”, escreve. Não dá para acreditar que ela, como professora, desconhece o conceito de ditadura. Se desconhece, não deveria escrever sobre o tema.
O que ela fez foi usar o surrado recurso da direita de separar ditadura de democracia conforme seus interesses oligárquicos, com toda carga arbitrária que essa prática encerra. No fundo da questão está a defesa dos privilégios, do autoritarismo e das violações dos direitos humanos em larga escala que a direita brasileira moldou como forma de governar. A desfaçatez se concentra exatamente aí. E ninguém mais do que a mídia cultua essa prática mafiosa, arrogante e safada.
Janaina Conceição Paschoal confessa que segue essa manual de redação ao dizer que “as notícias de perseguições, prisões, greves de fome, fuzilamentos e fugas envolvendo opositores às duras ditaduras esquerdistas são ignoradas”. Para ela — ou para quem a orientou a escrever —, as leis daquele país, os crimes que foram praticados e a soberania dos povos são coisas sem importância. Ainda bem — benza-deus! — que essa gente não defende a mesma coisa no Brasil. Pelo menos publicamente.





















Comentários
1. O regime cubano é uma ditadura?
Resposta: não.
2. Esse regime desrespeita direitos humanos?
Resposta: não.
Agora, são questões que precisam de fundamentações. Sugiro dois textos que podem te ajudar inicialmente:
A verdade sobre a emigração cubana
http://outroladodanoticia.com.br/inicial/29560-a-emigracao-cubana.html
Quem são e por que lutam os “dissidentes” cubanos
http://outroladodanoticia.com.br/inicial/29559-quem-sao-e-por-que-lutam-os-dissidentes-cubanos.html
Você poderia me dizer em quais linhas do texto você mesmo responde as perguntas? Ou, se achar que ainda não terei capacidade de apreender a partir do texto, poderia respondê-las fora dele?
Insisto nisso porque existem muitos sites de opinião, à direita e à esquerda, que distorcem a realidade para enquadrá-la no ponto de vista deles. Responder essas perguntas me ajudaria a ler os seus artigos com a segurança de que o seu site não faz parte desse grupo.
1. O regime cubano é uma ditadura?
2. Esse regime desrespeita direitos humanos?
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