Lee Wong, no Monitor Mercantil
Criminosa ocultação de informações revolta opinião pública
Dias difíceis atravessa a empresa Tepco, geradora de energia elétrica, cuja usina situada na cidade de Fukushima provocou o maior desastre nuclear dos últimos tempos. A Tepco, que realizou péssimo gerenciamento das consequências do tsunami que atingiu suas instalações nucleares, tem a petulância de querer impor aumento em seus preços de energia em 10% para os particulares e 17% para as empresas. E esta audácia torna-se desafio na medida em que são reveladas as novas negligências da Tepco, assim como todas do setor nuclear do Japão.
Em 19 de janeiro, a empresa reconheceu o mau funcionamento de um sistema de transferência de dados para o governo. Em novembro de 2010, quatro meses após a catástrofe, a empresa deveria ligar em regime de alimentação provisória um mecanismo que fornece - em tempo real - todos os dados relativos a temperatura dos reatores e níveis de radiostividade em torno das instalações em dois sistemas de informação que são partes integrantes da rede governamental para previsão das catástrofes. Mas, naquela época, a ligação não foi possível ser feita porque o cabo para a ligação era muito curto!
Após ter sido informada do mau funcionamento após o acidente, o Serviço de Segurança Nuclear e Industrial não julgou importante incluir o fato no relatório da Comissão de Investigações relativo aos motivos do acidente nas instalações que foi publicado em dezembro.
Há meios alternativos
Outro problema de responsabilidade da Tepco é a falta de gravações das conversações do grupo de crise, que foi criado pelo Governo do Japão, pelo Serviço de Segurança Nuclear e Industrial e pela Tepco após o acidente. Em 24 de janeiro o ministro de Economia, Comércio e Indústria do Japão, Yukio Edano, pediu perdão, após ter confirmado a informação. Edano, que em março de 2011 ocupava o cargo de representante do governo, julgou "triste" a falta destas gravações.
Até o jornal japonês Nihon Keizai, que apóia a geração de energia elétrica por reatores nucleares, observou que "estas revelações criam suspeitas de que o governo, de propósito, não exibiu as gravações para ocultar da opinião pública do Japão determinadas informações".
Todas estas revelações funcionam contra o reinício das operações dos 51 reatores nucleares que geram energia elétrica no Japão. A opinião pública do país é praticamente a maior inimiga do reinicio das operações dos reatores em todo o território japonês.
Quanto mais que, de acordo com o jornal Mainichi, o governo ocultou deliberadamente o relatório, de acordo com o qual "o Japão dispõe de suficientes meios alternativos de geração de energia elétrica para contrabalançar o fim de funcionamento de todos os reatores nucleares, e que poderia passar o verão sem problemas de fornecimento. O motivo é que o governo japonês queria disseminar o medo pela falta de energia elétrica e convencer a opinião pública a aceitar o reinício de funcionamento dos 51 reatores nucleares do país".





















