José Paulo Kupfer, no O Estado de S. Paulo
Leitores, como era de esperar, ficaram surpresos com os níveis atualizados de endividamento dos países de economia madura, segundo o levantamento do McKinsey Global Institute (MGI), mencionados no texto anterior publicado no blog. Alguns chegaram até a duvidar da correção dos dados.
Bem, não há erro. O Japão carrega, de fato, o maior volume de dívidas – públicas e privadas somadas –, em relação ao PIB, nas dez economias pesquisadas (Estados Unidos, Reino Unido, Alemanha, Espanha, França, Itália, Canadá, Coreia do Sul, Austrália e Japão). O volume da dívida total japonesa é mais de seis vezes superior ao total anual líquido da produção japonesa, em moeda corrente.
O Canadá, que registra o menor volume de dívidas em relação ao PIB do grupo analisado, ainda assim mostra um endividamento total três vezes e meia maior do que seu PIB. Na média dos dez países, as dívidas totais a mais de quatro vezes a produção de um ano.
Não deixa de ser curioso que as dívidas acumuladas nos países mais encalacrados da Europa sejam proporcionalmente menores do que nas grandes economias maduras. Exceto a Irlanda, a campeã dos campeões, com uma dívida total sete vezes e meia superior ao PIB, os demais (Espanha, Itália, Grécia e Portugal), somam dívidas totais, em média, quatro vezes o PIB.
De todo modo, comparado com os maiores emergentes, é um dilúvio de dívidas. O endividamento chinês não chega a três vezes seu PIB e na Índia mal passa de duas vezes. No Brasil, entre endividamento público e privado, o total supera a produção líquida de um ano em “apenas” duas vezes e meia.
O tamanho das dívidas indica o tamanho do desafio que o processo de desalavancagem enfrenta e o alto grau de dificuldade para superar estreitos limites ao crescimento. Indica também o possível longo intervalo de tempo daqui até a superação desses constrangimentos.
E o endividamento total ainda não parou de crescer.





















