Página Inicial O mundo é governado por 147 empresas

O mundo é governado por 147 empresas

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neocoloniaslismo-imperialismo-americanoLaura Britt, no Monitor Mercantil

Elas controlam 40% da economia mundial

Quem governa o mundo? Esta clássica e quase folclórica pergunta, que em cada época recebe diferentes respostas, tem a sua, também, nos dias atuais: apenas 147 empresas. Também resposta válida é: 737 empresas, porque as primeiras 147 controlam 40% da economia mundial, enquanto as 737 (nas quais incluem-se, também, as 147) controlam 80% da economia do planeta. É realmente incrível a concentração de capital e a interligação das gigantescas empresas que predominam neste mundo.

Todos supunham uma forte concentração de controle, mas algo assim, algumas centenas de empresas interligadas terem participação em outras empresas que representam 80% da economia mundial, ninguém poderia imaginar. Por isso que o estudo de três pesquisadores suíços, da Escola Politécnica de Zurique, que revelou estes dados, provocou forte agitação, sensação e discussões.

James Glattfelder, Stefano Batiston e Stefania Vitale, especialistas em redes compostas, assumiram a responsabilidade pela execução desta obra de excepcional importância e de gigantesco volume de trabalho. Retiraram os dados básicos dos arquivos da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) do ano de 2007, o qual incluía então dados de 37 milhões de empresas no mundo inteiro (hoje inclui 44 milhões de empresas).

Destas 37 milhões, separaram 43.060, as quais correspondem aos critérios estabelecidos pela OCDE para serem definidas como multinacionais. A partir daqui iniciou-se a extenuante e inédita tarefa dos pesquisadores de descobrir o percentual de participação que cada uma destas gigantescas empresas multinacionais possui em outras empresas, pequenas ou grandes.

Financeiro manda

Surpreendidos, os três pesquisadores constataram que cada uma destas 43.060 empresas possuía, em média, pacotes de ações de outras 20 empresas da mesma categoria e setor. O envolvimento entre elas era de gigantesca extensão, além naturalmente das ações de empresas menores que possuíam e que revelaram uma rede de 600 mil empresas interdependentes.

O aprofundamento da análise destes dados trouxe à tona as 147 empresas já citadas (3/4 das quais pertencem ao setor financeiro, com primeira no mundo o banco britânico Barclays) que representam 40% da economia mundial. Constata-se assim a existência "de uma super-entidade econômica na rede mundial das grandes empresas multinacionais", conforme destacam os três pesquisadores suíços.

A interligação destas superpoderosas empresas é mais fortalecida, ainda, por empréstimos que concedem umas às outras, por CDS e outros produtos financeiros de alto risco, totalmente invisíveis. O dado mais importante é que esta estreitíssima interligação aumenta incrivelmente os riscos de disseminação em períodos de crise econômica, porque em períodos ruins as empresas revelam problemas simultâneos, e assim agem com extrema desestabilização para o sistema.

Isto foi comprovado no outono de 2008 com a "falência" do Lehman Brothers, um único banco (34º da relação dos investidores suíços em 2007) que alimentou uma crise mundial, exatamente pelo fato da forte interligação das gigantescas empresas.

O estudo dos investigadores da Escola Politécnica de Zurique não calculou, naturalmente, a monstruosa força política que possuem estas 147 gigantescas empresas multinacionais por sua incomensurável força econômica.

"Nos EUA, conseguiram, antes de mais nada, os ex-colaboradores Goldman Sachs, hoje lotados em cargos do governo e do Congresso dos EUA, assim como os lobistas de Wall Street, impedir qualquer controle sobre o setor financeiro. Também na Grã-Bretanha, Suíça e Alemanha, muito pouco se fez sobre esta questão" escreveu, a propósito, o jornal alemão conservador Die Welt.

 

 

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