Bernardus Van Der Putten, no Monitor Mercantil
Crise econômica incentivou a diversificação de ativos patrimoniais
Joanesburgo - A crise econômica incentivou a aquisição de extensões de terras para agricultura em países pobres do Terceiro Mundo, especialmente, aqui, na África, por novos investidores neste setor, como os bancos e os fundos de aposentadorias e pensões, que consideram as terras para cultivo investimento lucrativo e seguro.
Além das indústrias de alimentos agrícolas, cada vez mais bancos, fundos de investimentos e de aposentadorias e pensões dedicam-se à aquisição de grandes extensões de terras em vários países africanos, "algumas vezes de forma indireta", como explicou Paul Mathieu, especialista em questões de propriedade de terras da Organização de Alimentos e Agricultura (FAO), sediada em Roma, Itália.
Apesar das advertências de organizações não governamentais, preocupadas com as consequências que eventualmente poderão causar estes investimentos, tanto na segurança de alimentos, quanto nos direitos das populações dos países pobres, esta tendência - recentemente iniciada - acelerou-se, novamente, por causa da crise econômica mundial.
Semanalmente, descobrem-se novas aquisições, embora muitas destas transações permaneçam secretas, considerando que a transparência não é considerada uma das características básicas deste setor. Por exemplo, em meados do mês passado, um grupo empresarial chinês formalizou um "protocolo de colaboração para a exploração de 300 mil alqueires de terra no norte de Serra Leoa aqui, na África".
Expulsão
Já na Etiópia, as autoridades do governo expulsaram nos últimos dias milhares de agricultores de suas terras, com objetivo de "promover" vários programas agrícolas, patrocinados por investidores estrangeiros.
Anotem que as extensões de terras preferidas pelos investidores estrangeiros encontram-se, além da África, também na América Latina e na Europa Oriental. A África, sozinha, concentra 2/3 dos investimentos estrangeiros em terras, de acordo com recente relatório da International Land Coalition, uma misteriosa rede de institutos internacionais de pesquisas e organizações não governamentais.
Em uma década, mais de 2 bilhões de alqueires de terra foram objeto de transação, de acordo com o relatório, que conclui que as consequências serão - de um modo geral - negativas para os pequenos proprietários de terra, enquanto várias organizações não governamentais manifestaram sua preocupação de que a situação se agravará mais ainda com a contínua entrada de novos investidores com objetivos, claramente, especulativos.
Especulação
A fim de diversificar seus ativos patrimoniais, os fundos de investimentos e os de aposentadorias e pensões, os quais sofreram graves prejuízos com a queda das bolsas de valores mundialmente, optaram por incluir em seus portfólios, também, as matérias-primas.
Assim, de acordo com a ONG espanhola Grain, têm investido US$ 15 bilhões em aquisição de terras e até 2015 estes investimentos, avalia-se, duplicarão. Hoje, as matérias-primas, assim como as terras para agricultura constituem - em média - 3% dos investimentos. Ainda, constatou-se que mais de 80% destas extensões de terras adquiridas aqui, na África, permanecem inaproveitáveis durante pelos menos dois a três anos após sua aquisição para fins especulativos.
Embora, não pretendam desenvolver qualquer espécie de cultura agrícola nas terra que adquirem, os investidores interessam-se por esta espécie de investimentos, considerando que os preços das terras - especificamente na África - continuam muito baixos, e frequentemente os governantes de países africanos as cedem gratuitamente aos investidores, junto com outros privilégios, em troca, obviamente, de benefícios pessoais.




















